O fundo Verde, famoso pela gestão de Luís Stuhlberger, zerou as posições compradas em dólar contra o real, diante de uma visão com “viés positivo” sobre as metas fiscais e a atuação do Congresso Nacional como contraponto a decisões do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em carta enviada nesta terça-feira (9) aos cotistas, a gestora destacou que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a exclusão de benefícios do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foi uma “vitória substantiva” para o governo.
A União prevê incremento de cerca de R$ 90 bilhões na arrecadação. Ainda que o mercado tenha estimativas mais modestas, em torno de R$ 40 bilhões, essa receita adicional “parece aumentar a probabilidade de que as metas fiscais de 2023 e 2024 sejam cumpridas”, avalia a Verde, destacando que o biênio 2025-2026 permanece como um desafio “importante”.
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Fora isso, a carta ressaltou também o papel do Congresso Nacional como contraponto em brigas que o governo vem comprando, como o caso do marco do saneamento, e também na tramitação do arcabouço fiscal, indicando melhoras no projeto. “Embora o prêmio de risco nos mercados tenha se mantido estável em grande medida em abril, vemos os fatores acima com viés positivo, e por isso saímos de posições compradas em dólar contra o real”, diz o documento.
Em abril, o fundo registrou perdas de -0,03%, contra ganhos de 0,92% do CDI (taxa de referência para o desempenho da carteira). No ano, o Verde acumula avanço de 2,32%, contra 4,20% do benchmark.
As posições em commodities, ouro, petróleo, juros longos europeus e bolsa global tiveram desempenho positivo no mês passado, mas as perdas com posições em inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, em dólar e na carteira de ações brasileiras foram superiores.
Segundo a Verde, questões envolvendo o sistema bancário americano continuaram tendo influência sobre os preços. “Os mercados de juros precificam um impacto relevante de aperto de crédito – provocado pelas questões estruturais dos bancos – na economia americana, e, portanto, na política monetária conduzida pelo Federal Reserve [Fed, banco central dos EUA]”, diz.
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A gestora questiona se os impactos serão fortes o suficiente para levar a economia para uma recessão, assim como em que velocidade o Fed mudaria de postura para começar a cortas os juros. “Continuamos vendo assimetrias na inflação, no sentido de ser mais resiliente que o precificado pelos mercados, e acreditamos que a precificação da volatilidade das curvas americanas está exagerada, e aí que as principais apostas macro globais do fundo se concentram hoje”.
Agora, o fundo reduziu “marginalmente” a exposição na Bolsa brasileira e voltou a comprar bolsas globais, mantendo a aposta em ouro e retomando uma pequena alocação em petróleo. “A posição comprada em inflação implícita no Brasil foi mantida, e continuamos tomados em juros na parte curta da curva e comprados em inflação nos EUA”, diz a carta. As posições em crédito high yield global, de maior risco, diminuíram, enquanto as de crédito local foram mantidas.
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