Os juros dos títulos prefixados do Tesouro Direto tinham queda na sessão desta sexta-feira (19). Investidores reagem ao IBC-Br de março e notícias sobre a negociação do teto da dívida dos Estados Unidos.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia de desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, caiu 0,15% em março na comparação com fevereiro, informou nesta sexta-feira (19) o Banco Central do Brasil. O resultado veio acima do consenso Refinitiv de analistas, de queda de 0,3%.
O indicador “confirma que o primeiro trimestre promete um crescimento forte, o que levanta dúvidas no curto prazo sobre o momento do primeiro corte da Selic”, afirma Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos.
Investidores voltaram a se dividir sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos após falas de integrantes do Federal Reserve (o banco central dos EUA) e dados de seguro-desemprego no país. Hoje, o presidente do Fed, Jerome Powell, participa de um painel com Ben Bernanke, ex-chairman do órgão, e tem a chance de ajustar expectativas.
A plataforma do CME Group mostrava 37,9% de probabilidade de aumento de 25 pontos-base na manhã desta sexta, enquanto na semana passada essa chance era de apenas 15,5%. Jerome Bullard, presidente do Fed de St. Louis, disse, em entrevista ao Financial Times, que pode apoiar novo aumento dos juros na próxima reunião Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto).
Ainda nos Estados Unidos, a negociação sobre o aumento do teto da dívida do país parece estar avançando. O presidente da Câmara, Kevin McCarthy, disse ontem estar confiante de que um acordo pode ser fechado na próxima semana.
De volta ao Brasil, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, vai moderar um seminário com Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), Agustín Carstens, presidente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) e Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.
No Tesouro Direto, destaque para os prefixados, que entregavam retorno menor que o entregue ontem. O título com vencimento em 2026 pagava 11,29% ao ano contra retorno de 11,32% na véspera. O mais longo, que vence em 2033, tinha retorno anual de 11,80% ante 11,83% na última atualização de ontem.
Os juros dos papéis atrelados à inflação seguiam direções mistas, mas com pouca variação. A rentabilidade real dos títulos com vencimento em 2035 e 2032 caía 0,1 ponto percentual para 5,64% e 5,56%, respectivamente. Já o rendimento dos papéis com vencimento em 2045 e 2055 subia 0,1 p.p.
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta sexta-feira (19):
IBC-Br de março
O indicador de março veio acima das projeções e mostra atividade econômica forte no Brasil. Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a Secretaria de Política Econômica está revisando o crescimento do PIB de 2023 de 1,6% para aumento de 1,9%.
Em relação a março de 2022, o IBC-Br teve crescimento de 5,46%.No trimestre encerrado em março, o indicador subiu 2,41% ante o trimestre anterior. Em relação ao mesmo trimestre de 2022, houve alta de 3,81%.
Com os dados divulgados hoje, o IBC-Br acumula alta de3,31% em 12 meses.
Haddad sobre Selic
O ministro da Fazenda disse ontem que a queda da Selic é questão de tempo. Ele ainda afirmou que o arcabouço fiscal e a reforma tributária devem ajudar o governo federal a zerar o déficit primário em 2024. As declarações foram feitas em entrevista à CNN.
Arcabouço fiscal
O relator do novo arcabouço fiscal, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), afirmou nesta quinta-feira, 18, ser “absolutamente fantasiosa” a informação de que o relatório do novo arcabouço fiscal abre brecha para ampliar as despesas em cerca de R$ 80 bilhões adicionais nos próximos dois anos, como calculou o mercado financeiro.
“Isso não é verdade. Quem está colocando isso está deturpando os fatos, causando ruído indevido. Em momento nenhum existe qualquer ação nesse meu relatório que coloca R$ 80 bilhões a mais. É absolutamente fantasiosa essa informação”, disse o deputado a jornalistas.
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