Depois de um fim de semana prolongado, o investidor se prepara para uma semana bastante movimentada. O mercado está atento aos novos dados econômicos, que fornecerão informações se a inflação está desacelerando ou se o Federal Reserve (Fed) anunciará outro aumento de juros em sua próxima reunião no início de maio.

No Brasil, a projeção de inflação para 2023, feita pelo analistas de mercado, voltou a subir nesta semana, de 6,01% para 6,04%, na quarta alta seguida, enquanto as estimativas para 2024, 2025 e 2026 foram mantidas, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Relatório Focus, do Banco Central. Para o PIB, a estimativa para 2023 subiu para 0,96%.

Outra prioridade é a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Portugal,  enquanto é aguardado o início da tramitação do projeto de arcabouço fiscal no Congresso. Na abertura do Fórum Empresarial Brasil-Portugal, Lula voltou a criticar o patamar da taxa Selic, atualmente em 13,75%.

No Tesouro Direto, os juros dos títulos públicos apresentavam ligeira queda nesta segunda-feira, às 9h22, primeira atualização do dia. O Tesouro IPCA+ 2045 oferecia retorno de 6,14% ao ano, em linha com os 6,15% registrados na quinta-feira (20). Já o Tesouro IPCA+ 2029 apresentava, no horário, a mesma taxa da sessão anterior, de 5,79% ao ano.

Entre os prefixados, o destaque era o Tesouro Prefixado 2033, que tinha valor de 12,56% ao ano, um pouco menor do que os 12,57% da última quinta-feira. O retorno do piso desses ativos, o Tesouro Prefixado 2026, era de 11,87% ao ano, inferior aos 11,89% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na manhã desta segunda-feira (24): 

Fonte: Tesouro Direto

Focus

A projeção de inflação para 2023 feita pelo analistas de mercado voltou a subir nesta semana, de 6,01% para 6,04%, na quarta alta seguida, enquanto as estimativas para 2024, 2025 e 2026 foram mantidas, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Relatório Focus, do Banco Central. Para o PIB, a estimativa para 2023 subiu para 0,96%.

A projeção para o IPCA de 2024 foi mantida em 4,18%, enquanto as de 2025 e a de 2026 permaneceram em 4,0%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB) a projeção de 2023 subiu de 0,90% para 0,96% em uma semana, enquanto a de 2024 avançou de 1,40% para 1,41%, a de 2025 recuou de 1,72% para 1,70% e a de 2026 estacionou em 1,80%.

Especificamente para os preços administrados, a projeção do IPCA para 2023 manteve a tendência de alta verificada há 21 semanas e passou de 10,20% para 10,71%. Há um mês, a projeção estava em 9,48%. A estimativa para 2024 foi mantida em 4,50% e as 2025 e 2026, continuaram em 4,0%.

A previsão da taxa de juros básica da economia brasileira (Selic) continuou em 12,50%. A de 2024 foi mantida em 10,0%. A de 2025 está 9,0% há onze semanas. Já a de 2026 permanece em 8,75% há três semanas.

A estimativa para o dólar em 2023 caiu pela segunda semana seguida, de R$ 5,24 para R$ 5,20. A estimativa para 2024 recuou de R$ 5,26 para R$ 5,25, enquanto a projeção para 2025 está em R$ 5,30 há 18 semanas. Para 2026, a projeção recuou de R$ 5,35 para 5,32.

Na semana em que foi apresentado o novo arcabouço fiscal, as projeções do resultado primário foram mantidas para 2023 (-1,0% do PIB) e 2024 (-0,80% do PIB), mas caíram para 2025 (de -0,50% para -0,37% do PIB) e 2026 (de -0,30% para -0,20% do PIB).4

Lula na Europa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está em Portugal, participando de um fórum empresarial, criticou a taxa de juros no Brasil, dizendo que é “muito alta; ninguém toma dinheiro emprestado com taxa a 13,75%”. Segundo Lula, “país capitalista precisa de dinheiro e esse dinheiro precisa circular. A solução no Brasil é voltar a colocar o pobre no orçamento”.

O presidente mencionou também a privatização da Eletrobras (ELET6): “foi uma desfaçatez o que aconteceu no Brasil nos últimos anos”.

Lula anunciou neste sábado (22) a instalação de um escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Lisboa e assinou uma série de acordos com Portugal. Segundo o presidente, a medida vai “mostrar a seriedade da relação entre Brasil e Portugal”. A declaração foi feita na XIII Cimeira Brasil-Portugal, evento realizado em Lisboa com o objetivo de estreitar a cooperação bilateral entre os dois países.

A solenidade contou com a participação do primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e foram assinados 13 acordos nas áreas de educação, justiça, saúde, economia e cultura. Lula destacou a importância da assinatura dos acordos bilaterais, após sete anos de interrupção da Cimeira Brasil-Portugal.

Índice de atividade EUA

O Índice de Atividade Nacional Fed Chicago de março se manteve em -0,19, igual valor de fevereiro. A expectativa era por uma leitura de -0,02.

Agenda

Na terça-feira (25), saem as vendas do varejo brasileiro em fevereiro. O Itaú prevê uma queda de 0,2% na comparação mensal e um aumento de 0,6% em bases anuais. Para o índice amplo, o banco estima um crescimento mensal de 0,4%.

“Há muita incerteza em cima das estimativas de índice amplo, dado que uma nova atividade [atacado de alimentos] foi inserida na metodologia e há apenas 13 observações disponíveis”, diz o relatório do Itaú.

Na quarta-feira (26), sai a prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) referente ao mês de abril. O Itaú prevê uma alta mensal de 0,58%, levando o índice anual a 4,2%. Assim, a inflação se aproxima do piso que o banco previu para o mês de junho – segundo o Itaú, de julho em diante, a expectativa é que a inflação volte a oscilar acima de 5%.

O índice de preços de gastos de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), referente ao mês de março, será divulgado na sexta-feira. O PCE é considerado termômetro favorito do Federal Reserve para medir o avanço de preços no país. O consenso Refinitiv prevê variação mensal de 0,3% para o núcleo do índice e de 4,5% na comparação anual.

Os números do PIB para o primeiro trimestre, bem como os dados de sentimento do consumidor de abril, serão divulgados entre uma enxurrada de outros indicadores econômicos.

“A leitura vai ser pressionada por preços regulados, especialmente da gasolina e produtos farmacêuticos. Em relação ao núcleo da inflação, serviços, como aluguel e alimentação fora de casa, devem acelerar na margem”, escreveu Mesquita.

Para o IGP-M, índice que costumava ser padrão de referência nos contratos de aluguel de imóveis, a expectativa é de contração de 0,74% em abril. “Tanto na indústria quanto na agricultura, os preços de atacado devem apresentar alguma deflação, com o ferro e a soja mais baratos”, diz o relatório do Itaú. O IGP-M será divulgado na quinta-feira (27).

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