A segunda semana de maio começa com dados de inflação. Nesta segunda-feira (8), o Boletim Focus mostra que a projeção de inflação para 2023 feita pelo analistas de mercado caiu de 6,05% para 6,02%. A estimativa para 2024 também caiu, enquanto as de 2025 e 2026 foram mantidas nos mesmo patamares da semana anterior, segundo a pesquisa.

Na seara política, o presidente Lula voltou a atacar a taxa Selic no fim de semana e repetiu que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não tem compromisso com o Brasil. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viaja ao Japão para participar da reunião dos ministros da Fazenda do G7.

No Tesouro Direto, os juros dos títulos públicos apresentavam queda na primeira atualização do dia, às 9h19. O Tesouro Prefixado 2026 oferecia retorno de 11,40%, menor do que os 11,45% da sexta-feira (5). O Tesouro Prefixado 2033 entregava juro de 12,08%, ligeiramente inferior aos 12,09% da sessão anterior.

Entre os títulos atrelados à inflação, a taxa do Tesouro IPCA+ 2045 era de 5,98% ao ano, igual ao de sexta. O Tesouro IPCA+ 2029 oferecia retorno de 5,53% ao ano, inferior aos 5,55% vistos na sessão anterior.

Os títulos Tesouro RendA+, criados neste ano para os investidores que priorizam a aposentadoria, também registravam queda nas taxas. O Tesouro RendA+ 2030 oferecia ganho de 5,89% ao ano, inferior aos 5,91% da sexta.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta segunda-feira (5):

Fonte: Tesouro Direto

Focus

Após cinco semanas de alta, a projeção de inflação para 2023 feita pelo analistas de mercado caiu de 6,05% para 6,02% nesta semana, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (8) pelo Relatório Focus, do Banco Central. A estimativa para 2024 também caiu, enquanto as de 2025 e 2026 foram mantidas nos mesmo patamares da semana anterior, segundo a pesquisa.

A previsão para o IPCA de 2024 recuou de 4,18% para 4,16%, enquanto as de 2025 e a de 2026 permaneceram em 4,0%.

Especificamente para os preços administrados, a projeção do IPCA para 2023 interrompeu a tendência de alta verificada há 22 semanas e recuou de 10,73% para 10,70%. Há um mês, a projeção estava em 9,79%. A estimativa para 2024 foi mantida em 4,50% e as 2025 e 2026, continuaram em 4,0%.

Para o crescimento do PIB, a estimativa para 2023 se manteve em  1,0% na semana. A projeção para 2024 caiu de 1,41% para 1,40% e as de 2025 e 2026 continuaram em 1,80%.

A previsão da taxa de juros básica da economia brasileira (Selic) continua em 12,50% há três semanas. A de 2024 foi mantida em 10,0% pela 12ª semana seguida e a de 2025 está em 9,0% há 13 semanas. A de 20226 subiu de 8,88% para 9,0%.

A estimativa para o dólar em 2023 foi mantida R$ 5,20. A projeção para 2024 também continuou em R$ 5,25, enquanto a projeção para 2025 recuou de R$ 5,30 para R$ 5,25 após 19 semanas de estabilidade. Para 2026, a projeção caiu de R$ 5,32 para R$ 5,30.

As projeções do resultado primário foram mantidas no prazos mais curtos: para 2023, continuou em -1,0% do PIB, enquanto para e 2024 permaneceu em -0,80% do PIB. Mas as projeções mais longas tiveram melhora: a de 2025 passou de -0,40% do PIB para -0,39% na semana e a de 2026 passou de -0,15% do PIB para -0,10% do PIB.

Para a dívida líquida do setor público, a projeção para este ano passou 60,55% do PIB para 60,70%, enquanto a de 2024 subiu de 64% do PIB para 64,10%. Pra 2025, a estimativa foi mantida em 67,0% do PIB. A de 2026 avançou de 67,0% do PIB para 67,20%.

Perspectiva para a Selic

De acordo com dados da B3 (B3SA3), o mercado precifica uma pequena chance de redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião dos dias 20 e 21 de junho – de 8,3%. Há ainda quem acredite que a queda pode ser de 0,50 p.p (3%), de 0,75 p.p. (0,80%) e até mesmo de 1,0 p.p. (0,70%). A maior parte dos agentes financeiros, no entanto, espera a manutenção dos juros em 13,75%, com 85,5% de probabilidade. Os dados são reflexos dos contratos de opções de Copom, que permitem a negociação da variação da taxa Selic decidida a cada reunião do Comitê de Política Monetária.

Fed

“Tendo como pano de fundo a mudança do Fed para uma postura dependente de dados no início na semana passada, é improvável que os dados sejam fortes o suficiente para empurrar o Fed a novos aumentos. No entanto, podemos ver alguma pressão nas expectativas do primeiro corte de juros, já que os mercados já precificaram três aumentos de juros até o final do ano”, diz David Alexander Meier, economista do Julius Baer. “Mantemos nossa visão de que o Fed concluiu seu ciclo de aperto na faixa atual e esperamos o primeiro corte de taxa em dezembro de 2023, quando o impacto de taxas de juros mais altas começará a pesar na atividade econômica”.

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar, no sábado (6), a manutenção da taxa básica de juros do País, a Selic, pelo Banco Central (BC) no nível de 13,75% ao ano, e disse que ela inibe os investimentos e o crescimento econômico. Lula afirmou que os empresários, varejistas e a população já não suportam mais a atual marca da Selic, e que isso tem levado à quebra de empresas.

O presidente negou que bata no Banco Central, e afirmou que apenas discorda da política adotada pelo presidente da instituição, Roberto Campos Neto. “Discordo da política, não concordo com juro a 13,75%. Você nunca me viu bater no BC, não bato porque não é gente, é banco”, completou, em declaração à imprensa após participar hoje da cerimônia de coroação do Rei Charles III, no Reino Unido.

Além de criticar o atual nível da Selic, Lula referiu-se diretamente a Campos Neto, ao afirmar que o presidente do BC não tem compromisso com o País e com a economia, mas com o governo anterior, que o indicou.

“Esse cidadão não tem nenhum compromisso comigo, ele tem compromisso com quem? Com o Brasil? Não tem. Tem compromisso com o outro governo, que o indicou”, disse. “Ele tem compromisso com aqueles que gostam de taxa de juros alta.”

Lula citou ainda afirmação recente de Campos Neto, segundo a qual para atingir a meta de 3% de inflação, a taxa de juros teria que superar 20%. “Tá louco? Esse cidadão não pode estar falando a verdade.”

De acordo com o chefe do Executivo, o Banco Central tem autonomia, mas “não é intocável”, e afirmou que não discute o assunto.

Lula disse que quando Henrique Meirelles comandava o Banco Central tinha mais autonomia que Campos Neto atualmente, e que quando a autoridade monetária aumentava a Selic, mexia na Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), para incentivar o crédito à indústria. “Se quisermos gerar empregos, precisamos ter crédito. Preciso de um país que tenha o Banco do Brasil com capacidade de emprestar. Tenho que ter a Caixa Econômica com capacidade de emprestar; o BNDES com capacidade de emprestar. Se não tiver dinheiro circulando, não tem desenvolvimento econômico.”

O presidente também se mostrou confiante no crescimento econômico. Segundo ele, o governo está colocando dinheiro na “veia” do trabalhador, que consome e faz a economia girar. “Se o dinheiro não estiver na mão do trabalhador, não tem emprego em lugar nenhum do mundo.”

Segundo Lula, se for preciso, negociará com empresários para reduzir preços. Citou que os preços dos automóveis populares hoje estão impraticáveis, acima de R$ 70 mil.

IPC-S

O IPC-S da primeira quadrissemana de maio de 2023 subiu 0,61% e acumula alta de 3,55% nos últimos 12 meses. A evolução recente da variação acumulada em 12 meses encontra-se no gráfico do release.

Arcabouço fiscal

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, disse à CNN, no último domingo (7), que, na tramitação da nova âncora fiscal no Congresso, os parlamentares devem endurecer as regras e incluir punições mais severas para o caso de descumprimento das metas fiscais anuais estipuladas pelo novo arcabouço. O projeto para a legislação que deverá substituir o teto de gastos foi apresentado pelo governo no fim de março e está agora sendo analisado pelo relator, na Câmara dos Deputados, para ter sua análise e votação iniciada nos próximos dias. Na proposta, o governo propôs punições mais brandas para os governantes caso não cumpram a meta de resultado primário estipulada para o ano. Nesse sentido, Lira disse que não deve ser incluída uma responsabilização à pessoa do agente público, mas o governo como um todo tem que ter alguma restrição quando não cumprir as metas a que se propõe na nova regra fiscal.

Agenda

A segunda semana do mês de maio vai ser marcada por dados de inflação no Brasil e nas principais economias do mundo. Os números sucedem as recentes decisões sobre juros pelos Bancos Centrais e tendem a indicar os próximos passos das autoridades monetárias, diante de um cenário de preços ainda elevados, mas com perspectivas de recessão.

Por aqui, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) do mês de abril vai ser divulgado na sexta-feira (12). O consenso Refinitv aponta para uma variação mensal positiva de 0,55% e de 4,10% em 12 meses.

“A leitura deve ser pressionada por preços regulados, em especial farmacêuticos. Levando em conta o núcleo da inflação, serviços e bens industriais devem acelerar na margem”, escreveu Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú.

Antes, na terça-feira (9), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) vai tornar pública a ata de sua última reunião. Na semana passada, o BC manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, em decisão unânime. O comunicado do Copom manteve o tom cauteloso sobre a inflação, mas com menor chances de uma nova alta nos juros.

“Ainda esperamos que o Copom inicie um cauteloso ciclo de alívio no início de novembro, levando a Selic a 12,5% ao final do ano”, disse Mesquita.

Além do IPCA no Brasil, a semana também trará indicadores de inflação nos Estados Unidos e na China. O índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) vai ser divulgado na quarta-feira (10). Na média das projeções do mercado, o núcleo da inflação deve apresentar uma elevação mensal de 0,4% e acumular 5,6% em doze meses.

Na noite da mesma quarta-feira, saem os dados de inflação ao consumidor e ao produtor na China. Mas antes, na terça-feira, haverá a divulgação da balança comercial chinesa.  O consenso Refinitiv prevê superávit de US$ 74,3 bilhões em abril, cifra menor que os US$ 88,19 bilhões de março. A expectativa é que haja uma desaceleração das exportações, com crescimento mensal de 8% (ante variação positiva de 14,8% em março).

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