O Telegram continua a funcionar normalmente para alguns usuários no Brasil nesta quinta-feira (27), apesar da decisão judicial de suspender o funcionamento do aplicativo de mensagens em todo o país. Há também relatos de instabilidades no seu uso.

A Justiça Federal determinou na quarta-feira (26) que as operadoras de telefonia móvel e as principais lojas de aplicativos no Brasil suspendessem o acesso e a distribuição do aplicativo no Brasil, após a empresa não entregar à Polícia Federal (PF) dados sobre grupos neonazistas presentes na plataforma.

Mas usuários continuam tendo acesso ao Telegram, apesar da decisão judicial. Algumas pessoas relatam instabilidades no funcionamento e uma mensagem de “Conectando…” no aplicativo, mas muitas dizem que ele continua funcionando sem restrições, tanto nos celulares quanto na versão web.

O InfoMoney conseguiu baixar e ler mensagens no Telegram na noite de quarta e continuou com acesso ao app na manhã desta quinta em um celular com chip da TIM (TIMS3) e sistema operacional Android, desenvolvido pela Alphabet (GOGL34, empresa dona do Google).

Em um outro aparelho, com chip da Claro e sistema iOS, da Apple (AAPL34), o aplicativo de mensagens não parou de funcionar em nenhum momento desde a decisão. Também há diversos relatos nas redes sociais de que nada mudou (veja abaixo).

A piada é bloquearam o telegram..
Mas ele continua on..
Nada aqui é sério. pic.twitter.com/CDmhZatfQm

— Carolina Vitoria (@Chefcarolinavi1) April 27, 2023

O que dizem as empresas

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A reportagem procurou o Telegram, a Apple, o Google e as principais operadoras de telefonia móvel do Brasil — Claro, Oi (OIBR3), TIM e Vivo (VIVT3) — para questionar porque o Telegram continuava funcionando no país, apesar da decisão judicial.

As empresas foram questionadas se foram notificadas da decisão e se estão encontrando alguma dificuldade operacional para cumpri-la, mas ninguém quis se pronunciar oficialmente até o momento.

A Apple afirmou que não ia comentar “no momento”. Já a TIM e a Vivo pediram à reportagem que procurasse a Conexis (ex-SindiTeleBrasil), mas o sindicato que representa as empresas do setor não respondeu enviados até a publicação desta reportagem.

Telegram, Google, Claro e Oi ainda não se posicionaram.

Entenda a decisão judicial

A Justiça Federal determinou na quinta-feira da semana passada (20) que o Telegram informasse dados sobre grupos e pessoas suspeitas de planejar ataques a escolas, como o ocorrido em Aracruz, no Espírito Santo, no fim de 2022.

O prazo para entrega dos dados era de até 24 horas. O Telegram chegou ceder parte das informações solicitadas, mas ainda não havia revelado os números de telefone dos participantes dos grupos.

Como a determinação não foi cumprida, a Justiça determinou a suspensão do aplicativo e ampliou a multa aplicada à empresa, de R$ 100 mil para R$ 1 milhão por dia de recusa em fornecer os dados solicitados.

A decisão é do juiz Wellington Lopes da Silva, da 1ª Vara Federal de Linhares (ES). O magistrado afirma que “a autoridade policial noticiou o cumprimento precário da ordem judicial pelo Telegram” e que os fatos demonstram “evidente propósito do Telegram de não cooperar com a investigação em curso”.

“Essa empresa cumpriu apenas parcialmente a ordem judicial que lhe foi dirigida, uma vez que se limitou a fornecer as informações concernentes ao administrador (e não a todos os usuários) do canal, deixando, ademais, de fornecer os dados dos usuários do grupo”, afirmou da Silva em sua decisão.

 

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