O Ibovespa fechou praticamente estável nesta terça-feira (18), com alta de 0,14%, aos 106.163 pontos. O dia foi marcado, de forma geral, por um sentimento de cautela tanto no cenário externo quanto no interno.

Em Nova York, Dow Jones e Nasdaq tiveram baixas de 0,03% e 0,04%. O S&P 500, por outro lado, avançou 0,09%.

“Em relação aos mercados, no cenário internacional a gente teve um dia tranquilo. Destaque do lado positivo ficou para a China, que trouxe dados econômicos melhores do que o esperado. Empresas nos Estados Unidos também surpreenderam positivamente com seus balanços. No entanto, o cenário internacional ainda  é de cautela. Alguns dados econômicos dos Estados Unidos apontam para desaceleração da economia e a inflação faz os membros do Federal Reserve adotarem um tom mais duro”, diz Rodrigo Ashikawa, economista da Principal Claritas,.

Na China, na noite de ontem, houve a divulgação de que o produto interno bruto (PIB) cresceu 4,5% no primeiro trimestre na comparação ano a ano, acima do consenso de 4%. As vendas no varejo cresceram 5,73% em março, também na comparação anual, ante 4,5% projetado.

Com isso, companhias ligadas a commodities foram destaque entre as altas do Ibovespa – as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;[ativo=PET4]) ganharam, respectivamente, 2,57% e 2,55%, as ordinárias da Suzano (SUZB3), 1,75%, as da Vale (VALE3), 0,86%, e as da CSN (CSNA3), 1,91%.

Gustavo Harada, chefe da mesa de renda variável da Blackbird Investimentos, destaca que nos Estados Unidos o que despertou o sentimento de cautela foram as falas dos presidentes das unidades do Federal Reserve de St. Louis e de Atlanta. Eles defenderem uma nova alta da taxas de juros e sua manutenção em patamares elevados por mais tempo. Isso ofuscou os resultados melhores do que os esperados que companhias estão trazendo na temporada de balanço do primeiro trimestre de 2023.

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Os treasuries yields para dois anos, com as falas, subiram 1,3 ponto-base, a 4,201%. Os para dez anos, contudo, recuaram.

“No cenário local, as melhoras no consumo da China estimularam os ganhos das commodities, segurando até um pouco mais a queda. Isso apesar da baixa dos Estados Unidos, sendo que a nossa bolsa tem uma correlação grande com a de lá”, contextualiza Harada. “A expectativa do novo arcabouço fiscal, transferido de ontem para hoje, também pesou”.

Investidores, no cenário interno, também optaram por um tom mais cuidadoso, esperando a divulgação do texto do arcabouço fiscal que foi para o Congresso. O atraso, uma vez que a apresentação era para ter ocorrido na véspera, e rumores de que o documento traria exceções nos gastos pesaram sobre o Ibovespa ao longo do dia. Após a apresentação, às 16h, especialistas passaram a tentar entender os impactos.

“No geral a Lei Complementar apresentada hoje não fugiu ao que havia sido dito por vários interlocutores nos últimos dias. Mas ficou claro pela proposta que o não cumprimento das metas de primário não implica em nenhum crime de responsabilidade, ao contrário do que acontece com a regra atual”, menciona Marcos de Marchi economista-chefe da Oriz Partners. “Agora é necessário apenas escrever uma carta justificando o descumprimento da meta”.

Luca Mercadante, economista da Rio Bravo, chama a atenção para o fato de o governo ter deixado de fora da regra de despesas os os gastos com capitalização de empresas estatais não financeiras. “Nenhum desses detalhes altera substancialmente a regra, que ainda deve ser submetida ao congresso, mas pioram um pouco o cenário com relação ao que foi apresentado pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad”, debate.

“Acho que não tem nenhum trigger (gatilho) nem para cima, nem para baixo”, comentou Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama, após a divulgação do texto. “Agora, temos que ver como o Congresso vai acatar isso. Agora é a vez da batalha política.”

A curva de juros brasileira, com isso, fechou com ganhos. As taxas dos DIs para 2024 subiram quatro pontos-base, a 13,26%, e as dos DIs para 2025, 9,5 pontos, a 12,00%. Os contratos para 2027 foram a 11,88%, com mais 16 pontos, e os para 2029, a 12,21%, com mais 18 pontos. Os DIs para 2031 fecharam a 12,41%, com mais 16 pontos. O dólar subiu 0,78% frente ao real, a R$ 4,975 na compra e a R$ 4,976 na venda.

Pesou ainda a notícia de que governo não pretende mais acabar com a regra que isenta transações internacionais avaliadas em até US$ 50 feitas entre pessoas físicas, o que pode dificultar conseguir novas fontes de receita para cumprir as imposições da nova regra fiscal. Além disso, a notícia também impactou as varejistas, que foram as principais quedas do Ibovespa.

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