A Bemobi (BMOB3) adquiriu 51% da 7AZ, startup de Santa Catarina, que atua na área de soluções de pagamentos para provedores de serviços de internet regionais, os ISPs, que, hoje, são responsáveis por atender mais da metade das assinaturas de acesso à internet no Brasil. A 7AZ fornece plataformas white label de pagamento digital para mais de 200 ISPs, que somam 2 milhões de faturas processadas por mês e, em 2022, registrou um valor total processado de mais de R$ 1 bilhão.
“A 7AZ é uma empresa jovem, de pequeno porte, mas de alto crescimento, que se encaixa perfeitamente à nossa estratégia de negócios, e que tem uma sinergia forte conosco, o que nos permitirá destravar muito valor dessa união”, afirma Pedro Ripper, CEO e cofundador da Bemobi. Ainda segundo Ripper, com o investimento, além de fortalecer o portfólio de soluções de pagamentos, a Bemobi pretende acelerar a penetração no nicho de ISPs no Brasil e utilizar as mesmas soluções para explorar outros mercados fragmentados e ainda não abordados pela companhia.
A aquisição da 7AZ ocorre em linha com o plano estratégico da Bemobi que definiu a diversificação de receitas da empresa por produtos, segmentos de clientes e também por geografias. “Atualmente, a vertical de pagamentos digitais é a que apresenta maior potencial de crescimento, não só com a expansão junto às empresas de telecom, que é o segmento de origem da companhia, mas também com clientes de Utilities e agora com ISPs”, diz Ripper.
No primeiro trimestre de 2023, a Bemobi registrou uma receita líquida ajustada de R$137 milhões e encerrou o período com R$575 milhões em caixa, uma posição que dá fôlego para novas rodadas de M&As. “Estamos avaliando ativamente as oportunidades, mas somos muito disciplinados”, diz Ripper. “Só fechamos negócio quando enxergamos reais sinergias de receitas, que é, hoje, a principal variável no nosso crivo, além do preço justo, claro”, finaliza Ripper.
Criada em 2009, a Bemobi é especializada em criar soluções digitais para dispositivos móveis, principalmente em mercados com amplas faixas de consumidores de baixa renda. Hoje, a empresa atua em 49 países, todos mercados emergentes, sempre no modelo B2B2C (Business-to-Business-to-Consumer), fornecendo seus serviços a uma grande empresa, que, por sua vez, oferta o serviço a seu cliente final. Nesse modelo, a receita gerada pelo consumidor é partilhada entre a Bemobi e seu cliente – empresas com milhões de consumidores finais, como operadoras de celular, bancos, varejistas e concessionárias de energia, entre outras.
Listada há dois anos na B3, a empresa precisou mudar o rumo do negócio para sobreviver ao cenário macroeconômico global desde 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19. Em entrevista ao Por Dentro do Resultado, programa de entrevistas com CEOs e CFOs de empresas de capital aberto do InfoMoney, Ripper afirmou que o cenário atual para o câmbio e para a guerra na Ucrânia não gera otimismo, mas confirmou que segue confiante nos fundamentos da empresa.
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