O dólar registrava um dia entre leves ganhos e perdas frente ao real nos primeiros negócios desta sexta-feira (14), após sequência de perdas acentuada que deixa a divisa americana a caminho de registrar forte desvalorização semanal.
O dólar comercial chegou a recuar novamente a R$ 4,90 nas primeiras negociações da sessão; já às 9h50 (horário de Brasília), a divisa americana tinha alta de 0,12%, a R$ 4,932 na compra e na venda.
Operadores de futuros vinculados à taxa básica de juros do Federal Reserve mantiveram nesta sexta-feira as apostas de que o banco central dos Estados Unidos aumentará sua taxa de referência em maio em mais 0,25o percentual, depois que um relatório mostrou que as vendas no varejo não foram tão fracas quanto o esperado no mês passado.
Os futuros dos juros de curto prazo dos EUA refletem a visão de que um aumento da taxa em maio é cerca de quatro vezes mais provável do que a manutenção, um pouco mais firme do que a chance vista antes do relatório do Departamento de Comércio. O intervalo alvo atual dos juros é de 4,75% a 5,00%.
Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 4,926 na compra e na venda, em baixa de cerca de 0,3%. Este foi o menor valor de fechamento para a moeda norte-americana desde 9 de junho de 2022. Nas últimas três sessões completas, o dólar acumulou baixa de 2,7%.
Ontem, mais um dado de inflação veio abaixo do esperado nos EUA e contribuiu para o cenário de queda da moeda. O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) caiu 0,5% em março em dados dessazonalizados, ante queda de 0,1% em fevereiro. O consenso Refinitiv apontava para estabilidade no mês e alta de 3,0% no ano.
Também contribuindo para a queda da divisa, esteve o dado de pedidos de auxílio desemprego no país, que aumentou mais do que o esperado na semana passada, mais um sinal de que as condições do mercado de trabalho estão se afrouxando à medida que os custos de empréstimos mais altos afetam a demanda na economia. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 11.000, para 239.000 em dado com ajuste sazonal na semana encerrada em 8 de abril. Economistas consultados pela Reuters previam 232.000 pedidos para a última semana.
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Já na quarta, o mercado de câmbio já havia refletido o resultado da inflação em março a partir da avaliação de que a desaceleração dos preços pode levar o Fed a antecipar o fim do ciclo de aperto monetário.
“O grande fator para a queda do dólar é certamente a mudança da perspectiva para a política monetária americana. A projeção para os FedFunds no fim do ano caiu recentemente de 5,60% para 4,38%. Isso teve grande impacto no valor do dólar frente a divisas emergentes”, afirmou o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira. “O resultado aumentou as apostas de que o Fed (o banco central americano) pode ser menos duro na alta de juros, o que foi positivo para moedas emergentes”, completou a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest.
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