As negociações de títulos públicos do Tesouro Direto foram retomadas após cerca de 40 minutos de interrupção na manhã desta sexta-feira (12). A suspensão ocorreu em função da forte volatilidade de preços e taxas. Com isso, investidores só podem comprar e vender papéis como o Tesouro Selic.
Quando ocorrem variações significativas, a Secretaria do Tesouro Nacional suspende temporariamente os negócios. Tal procedimento impede que as negociações não reflitam corretamente as condições de mercado.
Na volta dos negócios, os juros oferecidos pelos títulos públicos operam em queda. No começo do dia, apenas um papel apresentava alta nas taxas logo na abertura: o Tesouro Prefixado 2026, que oferecia um retorno de 11,41%, bem acima dos 11,32% registrados após a suspensão das negociações. O percentual visto na retomada é mais baixo do que os 11,34% da véspera.
Já entre os títulos atrelados à inflação, o maior recuo era visto pelo Tesouro IPCA+2040, em que o retorno real caía de 5,86% para 5,81%, no mesmo horário.
A sexta-feira é de apresentação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, que voltou a desacelerar, para 0,61% em abril, após subir 0,71% em março e 0,84% em fevereiro. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 4,18%. No ano, a inflação acumulada é de 2,72%.
Os dados divulgados hoje ficaram acima do consenso Refinitiv, que previa inflação de 0,54% no mês e de 4,10% na comparação anual.
Chamou atenção também o fato de que o índice de difusão – que mede o percentual de itens com aumento de preços – voltou a avançar em abril, ao passar de 60% para 66%.
Cálculos da XP mostram ainda certa pressão nos núcleos, com a média dos núcleos de três meses até abril anualizada saindo de 6% para 6,15% agora em abril.
A divulgação dos números provocou um avanço dos juros futuros curtos e uma queda das taxas de médio e longo prazos, movimento que foi um pouco diferente no Tesouro Direto.
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta sexta-feira (12):
Fonte: Tesouro Direto
IPCA
O destaque da agenda local está nos números do IPCA. Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo apresentaram alta em abril, com destaque para Saúde e cuidados pessoais, que teve o maior impacto (0,19 ponto percentual) e a maior variação (1,49%).
Segundo André Almeida, analista da pesquisa, o resultado nesse grupo foi influenciado pela alta nos produtos farmacêuticos, justificada pela autorização do reajuste de até 5,60% no preços nos medicamentos, a partir de 31 de março. A contribuição desse item foi 0,12 p.p. e a variação alcançou 3,55%.
Outro grupo que contribuiu para o resultado do mês (com 0,15 p.p.) foi o de Alimentação e bebidas, com aceleração de 0,05% em março para 0,71% em abril.
A principal colaboração foi da alimentação no domicílio, que passou havia apresentado deflação no mês anterior (-0,14%) e teve alta de 0,73% em abril. Impactaram os preços do tomate (10,64%), do leite longa vida (4,96%) e do queijo (1,97%). Entre os alimentos em queda, destaque para a cebola (-7,01%) e o óleo de soja (-4,44%).
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