Um cenário desafiador sempre pode se tornar mais desafiador. Cerca de um mês após a saída do CFO, Marcelo Kopel, a CVC (CVCB3) anunciou a renúncia do seu presidente-executivo, Leonel Andrade, na noite da última quarta-feira (24).
Antes do anúncio, as ações já haviam caído 7,56% na sessão da véspera e analistas já projetavam, antes da abertura do mercado, ainda mais pressão para os papéis com a saída de Andrade na sessão desta quinta-feira (25). Às 10h05 (horário de Brasília), os ativos operavam em baixa, ainda que mais modesta, de 1,78%, a R$ 2,76. Contudo, os papéis viraram para alta de 0,71%, a R$ 2,83, seguindo o dia positivo do Ibovespa, que subia cerca de 2%, com destaque para as ações voltadas ao consumo doméstico após o IPCA-15 abaixo do esperado.
Cabe destacar que, no acumulado do ano até a sessão do último dia 24 de maio, os papéis CVCB3 acumulam baixa de 37,4%, a segunda maior baixa do Ibovespa em 2023.
A CVC, que não anunciou um substituto, afirmou que o processo de sucessão foi iniciado. Andrade estava na companhia desde abril de 2020, quando assumiu o comando do grupo. Cabe destacar que a posição de Kopel estava sendo acumulada por Andrade.
A CVC afirmou que, “de forma a assegurar a continuidade das operações da companhia”, o Conselho de Administração da empresa criou um comitê de transição, a ser liderado pelo conselheiro Sandoval Martins, a partir desta quinta-feira.
A saída dos dois principais quadros da CVC dentro do intervalo de um mês ocorre em um momento no qual a companhia
busca reestruturar dívidas, após fortes dificuldades enfrentadas nos últimos anos, em especial por causa da pandemia de Covid-19.
Eliane Silveira Lapa, atual de diretora de governança corporativa e compliance, acumulará a cadeira de relações com
investidores, segundo a CVC.
O JPMorgan aponta que Andrade foi a mente por trás da estratégia de busca de recuperação da empresa, que foi prejudicada pelos desafios de execução em meio ao Covid-19, cenário macroeconômico mais fraco e balanço patrimonial altamente alavancado.
O anúncio um mês após a saída do CF deixa a empresa sem os principais diretores-chave logo após o reperfilamento de sua dívida e com compromissos em torno de outro aumento de capital até o final do ano para reduzir a alavancagem.
“Além disso, além das questões de balanço, a empresa continua enfrentando desafios operacionais significativos devido à pressão que segue sobre a renda disponível e à baixa demanda por viagens entre seus consumidores-alvo, com os resultados do 1T23 sendo um bom indicador disso”, aponta o JP.
No primeiro trimestre de 2023, a companhia registrou um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 15,8 milhões (-52,5% na base anual), impactado negativamente pelo aumento das despesas e levando a uma piora da alavancagem operacional.
“Levando tudo em conta, evitamos CVC”, aponta o JPMorgan, que tem recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para o ativo.
A Guide também aponta a notícia como negativa, uma vez que a CVC está em uma situação operacional e financeira difícil. “A saída do CEO sem um plano claro de transição deve dificultar ainda mais a recuperação da empresa e ser mal recebida pelos investidores (mesmo considerando a queda de 7% da CVCB3 ontem)”, apontam.
(com Reuters)
The post CVC (CVCB3): sem CFO e agora sem CEO, cenário se torna ainda mais desafiador; ação tem dia volátil após derrocada da véspera appeared first on InfoMoney.