BRASÍLIA (Reuters) – O avanço do arcabouço fiscal impacta as expectativas de inflação e já reflete em um recuo nos juros futuros, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que também mandou sinal ao governo ao citar estudo da autoridade monetária que mostrou ineficiência de a meta de inflação seguir o ano calendário.

“É muito impressionante esse processo, eu reconheço o grande trabalho que foi feito pelo governo, pelo ministro Haddad e como o Congresso se mobilizou e fez uma votação rápida e tão expressiva em um tema como o arcabouço, que é tão importante para a gente porque influi nas expectativas”, disse.

“E tem influído nas expectativas, a gente vê as taxas de juros longas caindo bastante”, acrescentou.

Em entrevista à GloboNews, Campos Neto disse que estudo feito no Banco Central há “algum tempo” chegou à conclusão de que havia ineficiência de a meta de inflação seguir o ano fiscal, e não um horizonte contínuo, ponderando que o tema tem divisão grande entre economistas.

No início deste mês, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia defendido expressamente uma “meta contínua” para a inflação. Campos Neto, Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, definirão em junho a meta de inflação de 2026 no Conselho Monetário Nacional e há uma expectativa de que possam aprovar também uma alteração no calendário do regime.

Campos Neto disse que o dado de inflação divulgado nesta quinta-feira veio melhor do que o esperado, assim como os núcleos de inflação, que vieram “um pouco melhor”.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,51% em maio, depois de avançar 0,57% em abril, de acordo com dados do IBGE. O resultado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de uma alta de 0,64%, e marcou a taxa mais baixa desde outubro de 2022.

Segundo Campos Neto, a desinflação tem sido um pouco mais lenta, mas o BC vê sinais positivos, ressaltando que um fortalecimento do real ajuda no processo.

O presidente do BC não indicou quando a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, poderá começar a cair, voltando a dizer que é apenas um voto de nove na diretoria da autoridade monetária.

The post Avanço do arcabouço fiscal já reflete em queda dos juros longos, diz Campos Neto appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *