O Ibovespa fechou com leve queda de 0,13% nesta quarta-feira (3), aos 101.797 pontos. O dia é marcado pelas decisões monetárias do Banco Central brasileiro, que divulgará comunicado a partir das 18h30 (horário de Brasília), e do Federal Reserve, que anunciou a elevação da fed funds em 25 pontos-base no meio da tarde, para o intervalo de 5% a 5,25%.

Como a alta já era esperada, analistas estavam mais atentos ao tom que o comunicado ia trazer, bem como ao pronunciamento de Jerome Powell, presidente da instituição monetária. No primeiro momento, as recepções se dividiram – com alguns especialistas vendo a sinalização de fim das altas como positiva e outros destacando que cortes ainda estão distantes.

“Decisão do Fed veio em tom duro, hawkish, mostrando comprometimento da autoridade no combate à inflação. Quando dizem que estão prontos a ajustar a política monetária caso surjam riscos que ameacem alcance da meta é uma fala bem forte. Podemos esperar alta de mais 0,25% em uma próxima reunião e depois estabilidade”, diz Leandro Petrokas, diretor de research da Quantzed.

Para ele, é possível esperar uma alta de mais 0,25 ponto percentual em uma próxima reunião e depois, a estabilidade. Queda nos juros, por outro lado, estão descartadas por no curto e médio prazo.

“Federal Reserve se vê numa situação em que há um risco bancário, com uma menor oferta de crédito que pode gerar impactos na inflação. Mas eles reforçaram que o alcance dos efeitos do aperto de crédito ainda é incerto”, diz o especialista.

“Expectativas melhoraram após uma possível sinalização de estabilização da taxa de juros nos Estados Unidos. Mercado já precificava a alta e aguardava a comunicação, que veio no tom de estabilização, apesar de falar em espera para aguardar o choque”, menciona Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

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Os índices em Nova York, que tinham tendência de alta antes do anúncio, fecharam em queda. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,80%, 0,70% e 0,46%.

Os benchmarks caíram mesmo com os treasuries yields para dez anos perdendo 7,5 pontos-base, a 3,364% , e os para dois anos, 11,1 pontos, a 3,871%.

O dólar perdeu força mundialmente, com o DXY, índice que mede a força da divisa americana frente a outras de países desenvolvidos, recuando 0,57%, a 101,38 pontos. Frente ao real, a baixa foi de 1,09%, a R$ 4,991 na compra e a R$ 4,992 na venda, com a moeda americana voltando a operar abaixo dos R$ 5.

No Brasil, o Ibovespa também recuou, a despeito da baixa da curva de juros, que acompanharam os treasuries. Os DIs para 2024 perderam 3,5 pontos, a 13,23%, e os para 2025, 11,5 pontos, a 11,87%. Os contratos para 2027 perderam 18,5 pontos, a 11,62%, e os para 2029, 17 pontos, a 11,95%. Os DIs para 2031 também perderam 17 pontos, indo a uma taxa de 12,15%.

Abre espaço na curva de juros hoje também o recuo das commodities, com especialistas temendo que a China frustre em sua retomada – o gigante asiático, na véspera, anunciou que passará a restringir o acesso a dados econômicos do país a estrangeiros.

Os contratos futuros de minério negociados em Singapura recuaram 1,3%, a US$ 100,80 a tonelada. O petróleo Brent recuou 4,41%, com o barril negociado a US$ 72.

“Um ponto de destaque também é a queda do petróleo hoje apontando um risco. É o mercado enxergando desaceleração na China e risco de recessão”, explica Petrokas. As ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4), contudo, não recuaram tanto, com queda abaixo de 1%.

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